José Borralho: Manual Prático de Turismo de Culinária
http://boacamaboamesa.expresso.sapo.pt/boa-mesa/escolha-bcbm/jose-borralho-manual-pratico-turismo-culinaria-20632996
06 Janeiro 2015
Não é o mapa do tesouro nem a solução para os seus problemas, mas pretende ser um passo mais para afirmar Portugal neste domínio. Por: José Borralho, presidente da APTECE
De acordo com o "Global Report on Food Tourism" da Organização Mundial de Turismo, o turismo gastronómico é o segmento de maior crescimento na indústria do turismo.
Efetivamente, muitos países, destinos turísticos, agentes promotores do turismo, empresas de eventos, operadores turísticos, agentes de viagens e outros prestadores de serviços no turismo, têm reconhecido a importância do turismo gastronómico no desenvolvimento do turismo local, regional e nacional.
O turismo associado à gastronomia é um segmento de mercado em rápida expansão, com uma curta história e que em Portugal dá o seus primeiros passos. É contudo, uma área com enorme potencial de crescimento, sobretudo se combinado com outros segmentos turísticos: aventura, saúde, desportos de inverno, cultura, entre muitos outros.
A Comida, tal como as Viagens, são parte inevitável da existência humana, logo a experiência gastronómica pode ser uma atração acrescida para qualquer tipo de atividade turística e aparentemente atraente para uma ampla gama de clientes.
"Comer fora" é uma das três principais atividades turísticas e quase 100% dos turistas "comem fora" durante as suas viagens.
Hoje, as atividades culinárias incluem festivais gastronómicos, visitas a mercados locais, atividades de pesca, escolas de culinária, visitas a agroturismo, vindimas, acções de degustação diversas e, claro, restaurantes.
Os destinos de turismo de culinária mais populares são a França, Itália e a Califórnia, constando a Croácia, Vietname, México e Perú nos destinos emergentes, sendo de prestar atenção ao desenvolvimento que paulatinamente o Brasil tem vindo a sofrer.
A referência à gastronomia (boa comida e bebida) passou também a figurar nos factores mais importantes, na maioria dos estudos feitos, a nível mundial, sobre a matéria, surgindo em todos como o 3º factor mais importante, a seguir à "segurança" e "relação qualidade/preço", satisfatório dos destinos.
Os efeitos do turismo associado à gastronomia devem ser entendidos numa lógica de desenvolvimento regional, promovendo o consumo local, dos produtos, serviços e da cultura local, podendo ser um motivador para a cooperação local, criando plataformas de associativismo e prática de atividades conjuntas.
Estes são já motivos suficientes e que justificam a criação do Manual Prático de Turismo de Culinária, que a APTECE acaba de lançar e cujo objetivo é proporcionar, às entidades interessadas, uma base para melhor compreender o turismo de culinária e para o tornar, em Portugal, mais competitivo e interessante, não apenas do ponto de vista económico, mas com vista à preservação da cultura local, regional e nacional. Nele abordamos a relação entre comida e turismo, descodificamos conceitos e tipologias dos turistas, identificamos os principais benefícios e apresentamos dicas para os que rapidamente querem envolver-se neste segmento.
Não esperem que vão encontrar todas as soluções para os problemas existentes. Não vão certamente até porque este Manual não é estanque, nem apresenta todas as soluções ou caminhos, nem poderia, porque cada empresa, cada negócio e cada agente que queira envolver-se em turismo de culinária, possui as suas próprias características, está inserido num determinado contexto e esse é essencial para determinar a melhor estratégia.
O objetivo deste Manual é sensibilizar os vários agentes no terreno, sejam profissionais e empresários ligados ao turismo (a nível global, regional, nacional e níveis locais), decisores políticos locais, responsáveis de promoção do turismo local, ONGs, assim como agências de cooperação para o potencial do turismo de culinária e juntos trabalharmos para encontrar soluções especificas.
É também uma ferramenta que antecede o Congresso Mundial de Turismo de Culinária que se realizará já em Abril, em Portugal. O manual é gratuito e pode ser solicitado directamente para aptece.geral@gmail.com
Por José Borralho, presidente da Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia – APTECE
E Mais!
José Borralho: Culinária, um cartão-de-visita de Portugal!
José Borralho: Portugal terra de culinária
Tradições Gastronómicas: Uma Casa Portuguesa com certeza!
COMER EM SP
Paulistano paga caro demais para comer pratos genéricos
Mito da cidade como capital da gastronomia deve ser repensado
ESPECIAL PARA A FOLHA
LANÇO ATÉ UM DESAFIO: SERÁ QUE ALGUM JOVEM CHEF SERIA CAPAZ DE CRIAR UM MENU DE QUATRO PRATOS ORIGINAIS POR R$ 100 (OU MENOS)?
Meu amigo americano não reclamava da comida, claro, mas da relação custo-benefício do restaurante, cuja conta saiu por R$ 150.
Quando um nova-iorquino paga U$ 75 (o equivalente a R$ 150) para jantar fora na sua cidade, a expectativa é de algo ligeiramente mais elaborado (e saboroso e criativo) do que um "magret" de pato ao molho mostarda...
No começo do ano, a revista "New York" saiu com a tradicional lista de "onde comer" naquela cidade obcecada por uma boa refeição.
A média de um prato principal no Acme, um dos novos e bons restaurantes escolhidos por Adam Platt, o crítico da revista? US$ 25 (cerca de R$ 50). No Pok Pok NY, de um dos melhores chefs de 2013? US$ 14 (R$ 28).
O prato mais caro no elogiado Battersby custa U$ 29 (R$ 58). No The Dutch, um dos endereços mais disputados atualmente na cidade? US$ 24 (ou R$ 48).
Claro que há, na mesma lista, os menus-degustação de US$ 150 (R$ 300) ao teto de US$ 195 (R$ 390) para o Eleven Madison Park. Mas esse é, só lembrando, um dos dez melhores restaurantes do mundo de acordo com o ranking da revista inglesa "Restaurant", graças ao talento do chef Daniel Humm.
Esse não é o problema. Para cada Humm, nós temos aqui nosso Alex Atala, entre outros, que, pela cozinha diferenciada, podem pedir, sim, um preço diferenciado.
Mas o que me parece absurdo é pagar um valor alto por uma coleção de pratos genéricos.
Você conhece os suspeitos: atum em crosta de gergelim (ah! com molho teriaki!), carré de cordeiro, espaguete ao vôngole (quando o garçom não tenta empurrar o ainda mais genérico "aos frutos do mar"), arroz de polvo, peixe do dia ao molho de maracujá, ceviche de (claro!) camarão, saint-pierre à provençal, polvo prensado, "steak au poivre", macarrão "thai"...
Essas coisas pelas quais aceitamos pagar um total de R$ 150. Ou melhor, talvez você aceite -eu já abandonei alguns endereços que não me dão nem surpresas nem prazer no seu cardápio.
PARIS MAIS EM CONTA
Que tipo de surpresas eu esperaria por esse valor? Aquelas que em Paris -Paris!- não custam mais do que € 25 (ou menos de R$ 65).
Em duas viagens recentes à capital francesa, munido do último "Fooding" (uma espécie de guia "Michelin" alternativo, que uma nova geração de críticos, chefs e "bons garfos" resolveu adotar), fui a alguns dos melhores restaurantes eleitos pelo guia.
O foco do "Fooding" é o sabor do que os chefs preparam -e a "paixão" que eles demonstram no cardápio.
De fato, cada sugestão que segui trouxe gratas surpresas ao paladar. Como no L'Agrume (selo "trop bon" ou "muito bom"), onde uma entrada (rúcula, mariscos, sopa de cheruvia, uma raiz semelhante à mandioquinha, com trufas), um prato principal (confit de marreco com cenouras rústicas) e uma sobremesa saíam por € 24 (R$ 62).
Outros exemplos? No Abri, que neste ano recebeu o curioso título de "fooding d'amour" ("cozinha apaixonante"), o almoço de três pratos custa € 22 (R$ 57).
Tudo bem, o almoço geralmente é mais barato...
Mas veja então o jantar no Roseval, o melhor restaurante de 2013 segundo o "Fooding". Lá, comi uma refeição completa (quatro pratos) por € 40 (R$ 103): creme de couve-flor com ouriço e avelãs, salada verde com timo e castanhas, cordeiro "de leite" com berinjelas, panetone com abóbora e chocolate.
E no Septime (prêmio de honra no "Fooding" de 2012), cinco pratos no jantar custam € 55 (R$ 143): salada de beterraba com carne-seca espanhola e folhas de mostarda, uma sopa de cogumelos-de-Paris, shiitake, foie gras, ostras e ervas, agulhão com abóbora, endívia e "colza" (uma flor), bochecha de vaca, repolho grelhado e mandioquinha e creme de baunilha com sorvete cítrico e merengue de tangerina.
Experiências semelhantes tive ainda em Le Chateaubriand (€ 50, cinco pratos), Clandestino (€ 22, três pratos), Au Passage (€ 18, três pratos), Vivant (€ 55, quatro pratos) -e isso é só uma fração do "Fooding".
CAPITAL DA GASTRONOMIA?
Só não tive experiências assim aqui no Brasil, sobretudo em São Paulo, a cidade que se orgulha de ser uma capital da gastronomia.
A oportunidade de viajar e experimentar outros cenários gastronômicos está me fazendo repensar esse título.
Comemos mesmo bem em São Paulo? Comemos caro, isso sim! Mas comemos sempre as mesmas coisas, como se os nossos restaurantes brigassem tanto para sobreviver nesse mercado ultracompetitivo, apenas para sossegarem assim que vissem suas mesas cheias.
A culpa, claro, não é dos restaurantes, muito menos de seus chefs. Cada um cobra o que quiser pela sua comida. O problema está em quem paga por ela.
Na ilusão de que comida cara deve ser igual a comida boa, o cliente passa o cartão mais como uma prova de que "pode gastar" do que como uma recompensa razoável ao prazer que teve à mesa.
Mas os próprios chefs -especialmente, os jovens- poderiam aproveitar o momento para criar menus realmente criativos e acessíveis, conquistando assim uma geração de onívoros que pode então redescobrir como sair para jantar pode ser delicioso.
Lanço até um desafio: será que algum jovem chef seria capaz de criar um menu de quatro pratos originais por R$ 100 (ou menos)?
Seria um bom primeiro passo para salvar a reputação da cidade -antes que São Paulo se transforme apenas numa enorme praça de alimentação disfarçada de "terraço gourmet".
O QUE ME PARECE ABSURDO É PAGAR UM VALOR ALTO POR UMA COLEÇÃO DE PRATOS GENÉRICOS; ATUM EM CROSTA DE GERGELIM, ESPAGUETE AO VÔNGOLE...
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/comida/98258-paulistano-paga-caro-demais-para-comer-pratos-genericos.shtml
06 Janeiro 2015
Não é o mapa do tesouro nem a solução para os seus problemas, mas pretende ser um passo mais para afirmar Portugal neste domínio. Por: José Borralho, presidente da APTECE
De acordo com o "Global Report on Food Tourism" da Organização Mundial de Turismo, o turismo gastronómico é o segmento de maior crescimento na indústria do turismo.
Efetivamente, muitos países, destinos turísticos, agentes promotores do turismo, empresas de eventos, operadores turísticos, agentes de viagens e outros prestadores de serviços no turismo, têm reconhecido a importância do turismo gastronómico no desenvolvimento do turismo local, regional e nacional.
O turismo associado à gastronomia é um segmento de mercado em rápida expansão, com uma curta história e que em Portugal dá o seus primeiros passos. É contudo, uma área com enorme potencial de crescimento, sobretudo se combinado com outros segmentos turísticos: aventura, saúde, desportos de inverno, cultura, entre muitos outros.
A Comida, tal como as Viagens, são parte inevitável da existência humana, logo a experiência gastronómica pode ser uma atração acrescida para qualquer tipo de atividade turística e aparentemente atraente para uma ampla gama de clientes.
"Comer fora" é uma das três principais atividades turísticas e quase 100% dos turistas "comem fora" durante as suas viagens.
Hoje, as atividades culinárias incluem festivais gastronómicos, visitas a mercados locais, atividades de pesca, escolas de culinária, visitas a agroturismo, vindimas, acções de degustação diversas e, claro, restaurantes.
Os destinos de turismo de culinária mais populares são a França, Itália e a Califórnia, constando a Croácia, Vietname, México e Perú nos destinos emergentes, sendo de prestar atenção ao desenvolvimento que paulatinamente o Brasil tem vindo a sofrer.
A referência à gastronomia (boa comida e bebida) passou também a figurar nos factores mais importantes, na maioria dos estudos feitos, a nível mundial, sobre a matéria, surgindo em todos como o 3º factor mais importante, a seguir à "segurança" e "relação qualidade/preço", satisfatório dos destinos.
Os efeitos do turismo associado à gastronomia devem ser entendidos numa lógica de desenvolvimento regional, promovendo o consumo local, dos produtos, serviços e da cultura local, podendo ser um motivador para a cooperação local, criando plataformas de associativismo e prática de atividades conjuntas.
Estes são já motivos suficientes e que justificam a criação do Manual Prático de Turismo de Culinária, que a APTECE acaba de lançar e cujo objetivo é proporcionar, às entidades interessadas, uma base para melhor compreender o turismo de culinária e para o tornar, em Portugal, mais competitivo e interessante, não apenas do ponto de vista económico, mas com vista à preservação da cultura local, regional e nacional. Nele abordamos a relação entre comida e turismo, descodificamos conceitos e tipologias dos turistas, identificamos os principais benefícios e apresentamos dicas para os que rapidamente querem envolver-se neste segmento.
Não esperem que vão encontrar todas as soluções para os problemas existentes. Não vão certamente até porque este Manual não é estanque, nem apresenta todas as soluções ou caminhos, nem poderia, porque cada empresa, cada negócio e cada agente que queira envolver-se em turismo de culinária, possui as suas próprias características, está inserido num determinado contexto e esse é essencial para determinar a melhor estratégia.
O objetivo deste Manual é sensibilizar os vários agentes no terreno, sejam profissionais e empresários ligados ao turismo (a nível global, regional, nacional e níveis locais), decisores políticos locais, responsáveis de promoção do turismo local, ONGs, assim como agências de cooperação para o potencial do turismo de culinária e juntos trabalharmos para encontrar soluções especificas.
É também uma ferramenta que antecede o Congresso Mundial de Turismo de Culinária que se realizará já em Abril, em Portugal. O manual é gratuito e pode ser solicitado directamente para aptece.geral@gmail.com
Por José Borralho, presidente da Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia – APTECE
E Mais!
José Borralho: Culinária, um cartão-de-visita de Portugal!
José Borralho: Portugal terra de culinária
Tradições Gastronómicas: Uma Casa Portuguesa com certeza!
José Borralho: Culinária, um cartão-de-visita de Portugal!
José Borralho: Portugal terra de culinária
Tradições Gastronómicas: Uma Casa Portuguesa com certeza!
COMER EM SP
Paulistano paga caro demais para comer pratos genéricos
Mito da cidade como capital da gastronomia deve ser repensado
LANÇO ATÉ UM DESAFIO: SERÁ QUE ALGUM JOVEM CHEF SERIA CAPAZ DE CRIAR UM MENU DE QUATRO PRATOS ORIGINAIS POR R$ 100 (OU MENOS)?
Meu amigo americano não reclamava da comida, claro, mas da relação custo-benefício do restaurante, cuja conta saiu por R$ 150.Quando um nova-iorquino paga U$ 75 (o equivalente a R$ 150) para jantar fora na sua cidade, a expectativa é de algo ligeiramente mais elaborado (e saboroso e criativo) do que um "magret" de pato ao molho mostarda...
No começo do ano, a revista "New York" saiu com a tradicional lista de "onde comer" naquela cidade obcecada por uma boa refeição.
A média de um prato principal no Acme, um dos novos e bons restaurantes escolhidos por Adam Platt, o crítico da revista? US$ 25 (cerca de R$ 50). No Pok Pok NY, de um dos melhores chefs de 2013? US$ 14 (R$ 28).
O prato mais caro no elogiado Battersby custa U$ 29 (R$ 58). No The Dutch, um dos endereços mais disputados atualmente na cidade? US$ 24 (ou R$ 48).
Claro que há, na mesma lista, os menus-degustação de US$ 150 (R$ 300) ao teto de US$ 195 (R$ 390) para o Eleven Madison Park. Mas esse é, só lembrando, um dos dez melhores restaurantes do mundo de acordo com o ranking da revista inglesa "Restaurant", graças ao talento do chef Daniel Humm.
Esse não é o problema. Para cada Humm, nós temos aqui nosso Alex Atala, entre outros, que, pela cozinha diferenciada, podem pedir, sim, um preço diferenciado.
Mas o que me parece absurdo é pagar um valor alto por uma coleção de pratos genéricos.
Você conhece os suspeitos: atum em crosta de gergelim (ah! com molho teriaki!), carré de cordeiro, espaguete ao vôngole (quando o garçom não tenta empurrar o ainda mais genérico "aos frutos do mar"), arroz de polvo, peixe do dia ao molho de maracujá, ceviche de (claro!) camarão, saint-pierre à provençal, polvo prensado, "steak au poivre", macarrão "thai"...
Essas coisas pelas quais aceitamos pagar um total de R$ 150. Ou melhor, talvez você aceite -eu já abandonei alguns endereços que não me dão nem surpresas nem prazer no seu cardápio.
PARIS MAIS EM CONTA
Que tipo de surpresas eu esperaria por esse valor? Aquelas que em Paris -Paris!- não custam mais do que € 25 (ou menos de R$ 65).
Em duas viagens recentes à capital francesa, munido do último "Fooding" (uma espécie de guia "Michelin" alternativo, que uma nova geração de críticos, chefs e "bons garfos" resolveu adotar), fui a alguns dos melhores restaurantes eleitos pelo guia.
O foco do "Fooding" é o sabor do que os chefs preparam -e a "paixão" que eles demonstram no cardápio.
De fato, cada sugestão que segui trouxe gratas surpresas ao paladar. Como no L'Agrume (selo "trop bon" ou "muito bom"), onde uma entrada (rúcula, mariscos, sopa de cheruvia, uma raiz semelhante à mandioquinha, com trufas), um prato principal (confit de marreco com cenouras rústicas) e uma sobremesa saíam por € 24 (R$ 62).
Outros exemplos? No Abri, que neste ano recebeu o curioso título de "fooding d'amour" ("cozinha apaixonante"), o almoço de três pratos custa € 22 (R$ 57).
Tudo bem, o almoço geralmente é mais barato...
Mas veja então o jantar no Roseval, o melhor restaurante de 2013 segundo o "Fooding". Lá, comi uma refeição completa (quatro pratos) por € 40 (R$ 103): creme de couve-flor com ouriço e avelãs, salada verde com timo e castanhas, cordeiro "de leite" com berinjelas, panetone com abóbora e chocolate.
E no Septime (prêmio de honra no "Fooding" de 2012), cinco pratos no jantar custam € 55 (R$ 143): salada de beterraba com carne-seca espanhola e folhas de mostarda, uma sopa de cogumelos-de-Paris, shiitake, foie gras, ostras e ervas, agulhão com abóbora, endívia e "colza" (uma flor), bochecha de vaca, repolho grelhado e mandioquinha e creme de baunilha com sorvete cítrico e merengue de tangerina.
Experiências semelhantes tive ainda em Le Chateaubriand (€ 50, cinco pratos), Clandestino (€ 22, três pratos), Au Passage (€ 18, três pratos), Vivant (€ 55, quatro pratos) -e isso é só uma fração do "Fooding".
CAPITAL DA GASTRONOMIA?
Só não tive experiências assim aqui no Brasil, sobretudo em São Paulo, a cidade que se orgulha de ser uma capital da gastronomia.
A oportunidade de viajar e experimentar outros cenários gastronômicos está me fazendo repensar esse título.
Comemos mesmo bem em São Paulo? Comemos caro, isso sim! Mas comemos sempre as mesmas coisas, como se os nossos restaurantes brigassem tanto para sobreviver nesse mercado ultracompetitivo, apenas para sossegarem assim que vissem suas mesas cheias.
A culpa, claro, não é dos restaurantes, muito menos de seus chefs. Cada um cobra o que quiser pela sua comida. O problema está em quem paga por ela.
Na ilusão de que comida cara deve ser igual a comida boa, o cliente passa o cartão mais como uma prova de que "pode gastar" do que como uma recompensa razoável ao prazer que teve à mesa.
Mas os próprios chefs -especialmente, os jovens- poderiam aproveitar o momento para criar menus realmente criativos e acessíveis, conquistando assim uma geração de onívoros que pode então redescobrir como sair para jantar pode ser delicioso.
Lanço até um desafio: será que algum jovem chef seria capaz de criar um menu de quatro pratos originais por R$ 100 (ou menos)?
Seria um bom primeiro passo para salvar a reputação da cidade -antes que São Paulo se transforme apenas numa enorme praça de alimentação disfarçada de "terraço gourmet".
O QUE ME PARECE ABSURDO É PAGAR UM VALOR ALTO POR UMA COLEÇÃO DE PRATOS GENÉRICOS; ATUM EM CROSTA DE GERGELIM, ESPAGUETE AO VÔNGOLE...
ETNOCENOLOGIA E ETNOCULINÁRIA DO ACARAJÉ
Vivaldo da Costa Lima *
O acarajé é das poucas "comidas de azeite" que fazem parte da dieta cotidiana do povo. O acarajé, como muitos já sabem, é um bolinho feito com massa de feijão-fradinho (Dolichos monachalis, L.), temperado com sal, cebola ralada, moldada em formas de bolas ou ligeiramente ovalados (e esta distinção morfológica está associada a certos mitos e tradições regionais da cultura iorubá-nagô).
Os bolos são, então, fritos no azeite fervente de dendê. Esta é a receita do prato que, na sua simplicidade aparente, tornou-se o símbolo de todo um sistema regional de cozinha. O acarajé veio com os escravos nagôs das regiões iorubás da Nigéria e do atual Benin. Foi, aliás, no Benin, então Daomé, que o padre Pierre Bouche encontrou o acarajé e o descreveu com precisão, chamando-o de un hors d''oeuvre, presque une friandise (A Costa dos Escravos e o Daomé, 1885). Este caráter de hors d''oeuvre, tão grato à gourmandise francesa, o acarajé é conservado na Bahia, onde é comido, como veremos já, como uma entrada ou como uma merenda entre as refeições maiores. Hoje também serve como um verdadeiro substituto dessas refeições, do almoço ou do jantar, retardado ou distante. E encontramos atualmente o acarajé oferecido como "tira-gosto", nas recepções oficiais e nas casas de famílias burguesas. Há toda uma documentação recente da passagem do acarajé, comida eminentemente popular, para as celebrações das classes afluentes. Nesses casos, os "cronistas sociais" anotam a presença de uma baiana, vestida a rigor, isto é, com o traje idealizado de "baiana", fritando seus acarajés num canto das enormes varandas ou à borda das piscinas das mansões. Esse costume, hoje muito difundido, foi assimilado pelas firmas de catering e pelas dezenas de buffets que fornecem comidas para a grande e diversificada demanda das empresas, dos bancos, das imobiliárias e das comemorações de fim de ano. Os acarajés, servidos com a variada gama dos canapés, aparecem com o salmão, os patês e o caviar, como uma nota "típica". Acarajé e uísque. Acarajé e batidas. Acarajé e champagne. O acarajé acompanha esses drinques preparatórios da refeição, mais resistente do que outros pratos da cozinha regional baiana ou de iguarias da chamada "cozinha internacional" que é, entre nós, uma versão tropicalista da cozinha francesa.
Nos restaurantes turísticos, servem, às vezes, o acarajé com os aperitivos. Nesses casos, como os acarajés são encomendados pelo maître-d''hôtel, são feitos em miniaturas, menores do que seu tamanho comum. Quando isto não é possível, os acarajés são cortados ao meio, ou mesmo em quatro partes, antes de serem apresentados à mesa. Pois, me confessou candidamente um garçom de conhecido restaurante, os acarajés muito grandes não devem ocupar o espaço, nem a intenção gastronômica, reservada para os pratos mais substanciais e mais caros do menu.
Mas tudo isso são hábitos que vêm se formando recentemente, e, nesses espaços ditos elegantes, o acarajé vem aparecendo como uma "novidade", não como uma "redescoberta". Mas o domínio mesmo do acarajé é, como disse, as ruas, as praças e as praias da cidade. Aí é que se estabeleceram essas pequenas cozinhas itinerantes, esses pequenos restaurantes verticais, que são os tabuleiros das baianas.
* Vivaldo da Costa Lima é antropólogo. Trecho de um artigo que integra a publicação Etnocenologia: textos selecionados. Correio da Bahia 31 de janeiro de 2003.
COMIDA DE RUA
Uma das primeiras pesquisa, dentro do projeto, será sobre Comida de Rua. Contribuições, dicas, informações são muito bem-vindas.
Experiencias culinarias para que los hoteles creen tendencia en RRSS
La clave reside en organizar y promocionar eventos gastronómicos para atraer a más clientes
http://www.hosteltur.com/111340_experiencias-culinarias-hoteles-creen-tendencia-rrss.html

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